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Arrumando a bagunça

Publicado: quarta-feira, 26 abril - 2017 em Uncategorized

Estou deixando esse blog fechado por um tempo. Há muito material aqui com que já não me identifico, mas há coisas boas também que pretendo aproveitar numa outra plataforma.

Quando eu decidir pra onde eu vou e o que levo, aviso aqui e fecho a casa de vez.

Pode ser que muitos textos daqui sumam porque eu vou ocultar tudo o que achar ruim. E vai ser bastante coisa.

Carta de um leopardo a Dionísio

Publicado: quarta-feira, 30 janeiro - 2013 em Uncategorized
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Entre savanas e florestas, caçadas e descansos, o que permanece é o hábito de correr.

Porque aquilo que é hábito, não muda. E cada um de nós possui sua natureza. Eu sou um leopardo. Territorial, agressivo, orgulhoso. E meu sangue é fúria.

Porque eu não consigo me adaptar a um rebanho. Porque meus sonhos vão além do desejo coletivo. Porque minha fome não é saciável por pastos.

Porque eu aprendi que morrer nunca é pra sempre.

E hoje eu olhei nos seus olhos, pai, e você me ofereceu tudo aquilo que eu precisava. Amor intenso e verdadeiro. Amor louco, insano, descontrolado, único… E meu. Só meu.

Amor suficiente pra cruzar um oriente, pra perder-me em oceanos, pra ir ao Hades e voltar.

E que pra você é algo tão simples… Mas tão difícil de conquistar.

Aprendi, sob o preço de cortar os pés descalços, que fiz o certo. Que não se entrega sua loucura a quem tem medo do escuro. Deixe a luz para os que gostam de viver na luz. Eu aprendi a enxergar foi no escuro do inverno.

E num mundo de dor e sofrimento, onde a cada esquina há corações dilacerados, me sinto grato. Grato em dor, grato em sofrimento, grato em desespero… Grato por estar, eu, por inteiro, dilacerado. Mas me resta o coração. E é só disso que eu preciso.

Cubro a face das tempestades de areia e respiro fundo ao encarar o deserto. Pois além dele, talvez, haja espaço para um amor insano, desses que não cabe no padrão dos homens, desses que o teatro e os livros não são capazes de padronizar, desses que não aprendemos nas histórias que nos contam.

Um amor desses que inventamos. A mais bela obra em minha criação. Um coração, e tão somente um coração.

É hora de correr.

Correr num deserto onde o acaso é a ordem, onde a sua perdição dá sentido às pequenas desarrumações dos grãos de areia. E na noite silenciosa do deserto, não há necessidade em ouvir-te, pois sinto.

Na paisagem noturna,as estrelas voltarão a desvendar mistérios, e somente a luz da Lua será capaz de me elevar a elas. Brilhar na profundidade bela do escuro, e só.

E não importa que eu não possa ver, se puder visto e curado.

E na paisagem noturna,as estrelas voltarão a desvendar mistérios, e somente a luz da Lua será capaz de me elevar a elas. Brilhar na profundidade bela do escuro.

E só.