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Não alimente os animais

Publicado: sábado, 16 julho - 2011 em Não sei
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Faz parte do processo de crescer parar de alimentar as bestas.

Nos comovemos, pois, quando pequenas, sempre parecem dóceis. Não há uma criatura saída do ovo que não cause comoção.

Mas quando crescem, viram bestas da mesma forma.

Aí um dia você para de ser a pessoa com a comida na mão e passa a ser o velho chato que diz “não alimente os animais”.

Mas é porque você está cansado das mordidas, de ver gente sangrando e morrendo, de sangrar e de morrer, e sabe que pode sobrar pra você outra vez.

Certas coisas vão se tornando desnecessárias. O brilho nos olhos do filhote de besta olhando pra você é uma dessas coisas. Já temos monstros o suficiente soltos por aí…

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O verdadeiro problema…

Publicado: quarta-feira, 12 janeiro - 2011 em Não sei
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[Esse é um daqueles posts confessionais, emotivos, rasgados e inconsequentes que estão pouco se fodendo se serão lidos, digeridos ou admirados. Fica o aviso.]

Ando de saco cheio de ouvir amigos (ou não ouvir, porque alguns hesitam em falar diretamente) dizendo “mas ainda nisso?” ou “mas ainda não superou?”. Não, não superei. Mas vou dizer qual é o verdadeiro problema, pois a maioria das pessoas custa a entender algumas dores que eu sinto, julgando serem parecidas com as que elas já sentiram ou sentem.

Dor de corno é uma coisa que dói bastante. Quem já foi traído por alguém que amava muito sabe disso. Mas dor de corno é uma coisa que passa, sobretudo à medida em que passa o amor. Durante algum tempo você ainda vai dizer que ama, que sente falta, mas é apenas pelo costume. E no fundo você sabe. Demora a admitir que é o sexo que faz mais falta, porque isso vai fazer você se sentir baixo. Mas convenhamos: dor de corno passa.

Contarei uma breve história sobre o modo como eu vivi e vivo minha vida.

Na adolescência, eu era aquele garotinho de coração de pedra. Aquele que não se apaixona, que evita sentimentos fortes, que foge dos envolvimentos, porque o amor é uma coisa que só pode te machucar. Não sei com quem ou onde eu aprendi que era assim, mas pra mim era verdade. E foi assim durante bastante tempo, fugindo de muita gente que poderia, eu nunca saberei, ter me ensinado muita coisa interessante.

Aí um dia, por algum caralho de asas do destino, você decide que não precisa ser assim. Porque você encontra alguém que sonha com você – e isso nunca tinha acontecido. Pela primeira vez você acha que pode dividir seus sonhos com alguém. Você planeja futuro, você planeja uma vida a dois, você começa a pensar do que vale a apena abrir mão para ter alguém que anda de mãos dadas com você. E isso não é ruim. Para muitos, é justamente o caminho para a felicidade.

E de repente um jovenzinho que achava que ter filhos era egoísmo no cenário capitalista, que ter uma casa era sedimentar a crueldade da propriedade privada, que planejar carreira era fechar os olhos para tantos futuros possíveis… Esse jovenzinho acha que vale a pena abrir mão de tudo isso pra dividir seus sonhos com alguém.

E BANG!

Eu não fui simplesmente traído pelo amor que eu mais amei. Eu fui traído pelo amigo em que eu mais confiei.

É isso que dói.

Dói, e faz você ter medo de dividir seus sonhos com quem quer que seja novamente. Faz você perder a fé, a força de vontade, o crédito nas pessoas… Faz você ver seus valores e de tanta gente, todos de cabeça pra baixo. Faz você pensar que você, no lugar dessa ou daquela pessoa, teria tido outra atitude.

E amizades vêm sempre em ciclos… E ciclos se abalam com essas coisas. E você não será o único que não saberá o que fazer. Talvez ninguém saiba. E por não saber, talvez ninguém faça. E quando alguém sair do torpor, talvez já seja tarde demais pra consertar algumas coisas.

Tudo em função de caprichos de vaidade de alguém que um dia, você também achou bonito. E se esforçou em dizer que era belo, mesmo quando não achava.

Mas essa gente se vicia e não sabe a hora de parar.

Não elogie demais seus filhos.