Arquivo da categoria ‘Mídias’

[Uma importante observação antes de começar: Aqui na UNESP de Rio Claro, como em diversas outras universidades públicas do estado e do país, estudantes estão se organizando para o estudo e planejamento de segurança pública, questionando o papel da polícia militar, e isso não tem sido visto com bons olhos pelo governo. Esse texto não é opinativo. Não defende estudantes da USP, não exige a retirada da PM de qualquer lugar. Estou apenas apresentando alguns dados para reflexão e cada um de vocês sinta-se livre para realizar também a própria pesquisa e parar de confiar nas mídias de massa que têm nos desinformado insistentemente em função da defesa de um plano de governo medonho que nos encaminha a uma ditadura que está deixando de ser velada para ser escancarada]

Para prestar um pouco de atenção: Quando se fala da criminalidade em São Paulo, cita-se homocídios e latrocínios em números absolutos.

[Fonte 1]

Em homicídios dolosos, perdemos apenas para o RJ. E em latrocínio, ganhamos até mesmo deles.

O que esqueceram (convenientemente?) de te dizer é que SP é o estado mais populoso do país, com mais que o dobro da população do segundo colocado (MG). Somamos mais de um quinto de toda a população brasileira.

Em valores relativos (ocorrência por 100 mil habitantes; que daqui em diante citarei como “oc/100m.hab.”), que é o valor mais lógico a se analisar, vamos ver como está nossa situação?

Homicídios dolosos (com intenção de matar): 10,8 (2008); 11,0 (2009).
São Paulo, dessa perspectiva, é o terceiro estado com MENOS homicídios dolosos por 100 mil habitantes (perdendo apenas para MG e PI).

Latrocínio (assassinato em função de roubo): 0,6 (2008); 0,7 (2009).
Aqui nossa situação não é exemplar, mas está longe de ser a mais crítica. Ainda somos o sétimo estado com MENOS casos de latrocínio (oc./100m.hab.) .

Ainda em números relativos, somos o terceiro estado com mais pessoas mortas em confrontos com a PM, e o segundo em vítimas (mortes) da PM em outras circunstâncias não identificadas como confronto (que eu entendi como execuções e acidentes).
Os gastos com policiamento (apenas policiamento e não segurança pública em geral) no ano de 2009 foram precisamente: R$8.626.688.263,48.

Querem saber o que acontecia com a educação no mesmo período? A ponta do iceberg pode ser contemplada aqui (pra quem estiver sem tempo, vale saber que a taxa de analfabetismo SUBIU 4,1%).

[Fonte 2]

Em porcentagem de despesas do orçamento do estado, a segurança pública recebeu mais que o dobro do investimento em educação nesse mesmo período. Agora, peço aos leitores uma reflexão de 5 minutos:

a) Pense em quantas vezes você precisou da polícia com sua ação preventiva (ação a que se destina) e ela estava lá para PREVENIR.

b) Pense na polícia que (por regimento e orientação da Constituição Federal) deveria atuar em conjunto com a população, e tente se lembrar se algum policial que faz (SE faz) ronda em seu bairro conhece você ou algum vizinho, se faz perguntas sobre a rotina local ou mostra algum interesse sobre a sua vida.

c) Pense em quanto tempo a polícia demora para chegar quando você precisa (eu, quando precisei, por três vezes, tive de esperar mais de uma hora).

d) Pense em quanto tempo demora para a polícia agir em casos de protestos, independente do motivo, do aumento salarial dos professores à marcha da maconha, e qual papel ela representa nessas situações (eu já vi a polícia chegar antes dos manifestantes ao menos 5 vezes).

Agora, peço uma reflexão um pouco mais longa:

a) Se a polícia se empenhasse com o mesmo rigor na prevenção do crime que tem na prevenção das reivindicações populares, será que precisaríamos esperar tanto?

b) Se o investimento em educação no estado de São Paulo fosse o dobro da segurança pública (o inverso da situação que vivemos hoje), daqui cerca de 30 anos, quem você acredita que estaria sendo criminalizado:

A polícia que abusa de seu poder e viola a lei para defender o interesse do estado enquanto espanca estudantes e professores… Ou os estudantes universitários que lutam por uma universidade livre, de acesso à toda a população?

Sem mais. Bom feriado a todos.

Fontes:

1. Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; ano 4, 2010 (o mais recente publicado); disponível em: http://www.forumseguranca.org.br
2. Relatório Oficial do Secretário da Fazenda do governo  e SP, 2009; disponível em: http://www.fazenda.sp.gov.br/download/relatorio.asp

Anúncios

Antes que me atirem pedras, devo explicar: este titulo é uma provocação, claramente. Mas não é sem motivo. A cada dia mais notícias do “bullying” aparecem na mídia e invadem as redes sociais de que participo. Para alguns, isso é bom, pois se está dando atenção à educação. Mas eu particularmente não acho que seja esse o tipo de atenção que a educação precisa, e vou explicar os motivos…

1) Conservadorismo lingüístico? Talvez.

E a trema ali foi intencional, só pra não perder a piada. A verdade é que temos uma palavra, na língua portuguesa, que sempre nos serviu muito bem: violência. Esse termo já comprime as idéias de “abuso”, de “invasão”, de “coação” e qualquer outro sentido que a palavra bullying possa ter. A origem latina é de “violentia”, resumidamente, “exercer autoridade na impossibilidade de resistência”. Longe de mim querer dar aulas de potuguês, que não é minha área, mas eu acredito que o problema começa aqui.

2) O “bullying” é novo, a “violentia” não.

E é disso que vive a mídia. Se for uma coisa já conhecida, não é manchete. E aí fica precendo que toda a questão da violência escolar foi uma importação recente ou, pior ainda, um sinal de que estamos caminhando ao primeiro mundo. Porque o “bullying” nunca foi problema no Brasil. Não ouvíamos falar disso dez anos atrás. O que não quer dizer, absolutamente, que não houvesse violência – área esta que, dentro dos estudos da educação, é um campo muito antigo e muito vasto.

E para termos a atenção das autoridades, das mídias, e mesmo das pessoas “comuns”, é necessário que seja “bullying”, pois aí parece que o problema é sério. Mas o “bullying”, seja pela importação linguística, seja pela sensação do novo que isso traz, ou seja por qualquer outro motivo imbecil, faz parecer que o abuso dentro das escolas tem emergido recentemente. Pior que isso, se apresenta como um fenômeno isolado, uma coisa que nasceu sozinha, que não se sabe exatamente de onde vem, e acaba por criminalizar e/ou demonizar jovens que, em boa parte dos casos (se não todos) são tão vítimas quando aqueles sobre quem exercem seu abuso.

A violência é um fenômeno que aconece em cadeia. A idéia de que violência gera violência, tão inserida na sabedoria popular, é a expressão mais simplificada e direta sobre o modo como ela funciona. O abuso exercido por um aluno sobre outro não é diferente do abuso exercido por governos sobre seus cidadãos, pela polícia sobre manifestações públicas, pelos pais sobre os filhos, pelo homem sobre o homem.

O “bullying” (e faço questão de repetir essa palavra insistentemente para ver se alguém mais se irrita com ela) é um termo que não faz sentido para nosso modelo de cultura. Mais que isso, é uma maneira bem suja de disfarçar um problema muito sério, que é o da violência sistêmica e interligada que permeia nossa sociedade. A mesma violência que reside na negação de direitos das minorias, a mesma violência que reside na perseguição religiosa das pequenas seitas, ou exercida peas grandes religiões.

A violência que ocorre dentro dos muros da escola é a mesma que ocorre aqui fora.Porque a escola não é um modelo para a sociedade, mas reflexo dela. Trabalha a seu serviço. E para uma sociedade onde a violência é modo de operação, como a nossa, o “bullying” nada mais é do que o recém-nascimento daquela violência que já não nos choca mais.

E através dessa palavrinha que nos foi vendida, como tantas outras coisas, massacramos os filhotes da besta sem chegarmos perto do ninho de onde sairão tantas outras.

Eu não sei o que vocês sentem, mas particularmente eu odeio quando me subestimam. Poucas coisas me tiram tanto do sério quanto a propaganda, porque ela não apresenta um fato, ela apresenta uma visão sobre o fato, como sendo a visão correta.

Para não ser taxado de louco ofendendo a televisão, eu prefiro mantê-la desligada a maior parte do tempo. Mas a propaganda está nas embalagens, nas paredes, nas revistas, enfim… A propaganda está em todo lugar. E mesmo essas campanhas cheias de “consciência” subestimam muito nossa capacidade de pensar.

Sou um pouco radical, admito. A propaganda pode ser entendida como algo que leva o consumidor consciente a pensar sobre o produto. Mas no meu entendimento, o consumidor consciente não procura informação na propaganda. Então acredito que não é a esse tipo de consumidor que ela está direcionada.

Agora, o que me irrita mais não é aquela propaganda nefasta de bolacha recheada onde a criança come escondendo da mãe e depois aparece com uma cabeça de biscoito se achando muito esperta. O que realmente faz com que eu revire no túmulo (e sim, eu reviro no túmulo) são as propagandas que pretendem conscientizar de modo hipócrita.

Um exemplo: a campanha anti-tabagismo (que hoje em dia não sabemos nem de onde está vindo). As maiores críticas das campanhas anti-tabagismo são quanto às propagandas sedutoras, o apelo sexual, o lobby político e, principalmente, a atingir os jovens. Como se combate isso?

Com propaganda!

Imagens horrorosas nos maços de cigarros, apelo imagético terrorista e lobby político, sob a desculpa de proteger justamente os jovens. Protegê-los de pensar por si próprios.

O que me manteve afastado dos cigarros até ter mais de 20 anos não foi uma propaganda, tampouco uma proibição. Foi justamente um cigarro, aceso na minha mãozinha, aos 4 anos de idade, oferecido por um tio (fumante). A experiência foi tão ruim e traumática que durante a maior parte da minha vida eu tive nojo de cigarros, da fumaça, de fumantes, enfim… Mais tarde outros fatores da vida me levaram a escolher fumar. E eu não acho isso bonito, nem me orgulho. Mas não acho feio também. É um direito (ainda, né).

O que mais agride as pessoas não é a fumaça. O que faz com que as pessoas estejam demonizando o cigarro é a propaganda. E isso porque quem trabalha com propaganda sabe muito bem o que está fazendo, e qualquer propaganda eficiente tem um forte embasamento psicológico.

Os cigarros, com o tempo, foram associados (pela propaganda) à transgressão e à liberdade. E a propaganda anti-tabagismo está usando justamente o sentido contrário, alimentando o repressorzinho fascista que existe em cada um de nós. E para muita gente, passou a ser um absurdo uma pessoa causando danos à própria saúde porque quer.

Não deveria ser um absurdo tão grande, e bastaria, para perceber isso, observar nossa alimentação cotidiana. Uma pessoa hoje tem a desculpa de dizer que teve câncer porque foi enganada pelo Mc Donald’s (as caixas de Big Mac não têm imagens de tumores – ainda, né?). Um fumante não. Toda embalagem vem com informações do tipo “Este produto possui 34547982345 substâncias tóxicas”; “cigarro mata”; “pare de fumar, ligue para o chatline dos ex-adictos”; “este cigarro se auto-destruirá em 5, 4, 3, 2, 1…”.

Com todos os danos que causam o cigarro, o consumo de cigarros ainda é mais consciente do que o consumo de alimentos, e isso acontece praticamente no mundo inteiro.

Aí vocês vão dizer “Mas quem disse que as pessoas que fumam fizeram escolhas conscientes?”. Pois é, ninguém disse. E nem eu estou dizendo. Mas se o problema é justamente a consciência da escolha, o lugar onde devemos atuar não é na propaganda, tampouco na proibição para o adulto. Consciência é algo que se desenvolve desde bem pequenininho… E não brota em cérebro de marmanjo a partir de leis, tampouco a partir de anúncios. A indústria também sabe disso, por isso sempre dá as mãozinhas ao governo quando o assunto é foder com a vida dos educadores.

Querem que suas crianças saibam escolher as droguinhas que vão consumir quando crescerem? Das lícitas às ilícitas, das gordurosas às açucarentas, das mal-cheirosas às flavorizadas? Então faça da consciência um hábito gradativo. Faça com que a propaganda chegue depois do hábito de consumo (e não antes).

Se as cantinas escolares fossem proibidas a crianças de ensino básico (ao menos) isso já faria muita diferença. Porque na hora de proibir os cigarros flavorizados, as mamães acham isso importante. Mas na hora de decidir o que os filhos comerão na escola, largam na mão dele uma nota de 5 reais e ele que se vire.

Restaurantes com comida decente, por 4 aninhos da vida escolar, já seriam mais que suficientes para que seus filhos começassem a entender o que é bom para eles e o que não é. E a partir daí, quando você entregasse a notinha de 5, ele saberia escolher bem melhor o que consumir.

Se o que atrai os jovens para certas substâncias de perigo químico é justamente a associação à imagem de transgressor, POR QUE RAIOS A MEDIDA DE COMBATE É A PROIBIÇÃO? Perdão, me irrita muito quando escrevem em caixa alta. Mas hoje me dei esse direito. Eu até diria “Não faz sentido”, mas os videos do Felipe Neto também me irritam.

É justamente na adolescência que queremos ser os maus elementos, usar crucifixos de ponta-cabeça, vestir apenas estampas violentas e tudo mais pra causar a impressão de “bad boy” (falando por mim, até). Porque demonizar uma coisa que se pretende afastar desse grupo, então?

Não bastassem essas contradições, que são até um pouco óbvias, quando alguém diz que a “anti-propaganda” e a proibição do consumo são medidas eficientes porque a população não tem consciência de consumo, o que meu ouvido rebelde traduz para meu cérebro é “Ok, mas eu também não tenho inteligência suficiente pra pensar numa solução, então prefiro acreditar que isso deixará tudo bem”. Afinal, a proibição afasta das nossas vistas. Mas não resolve.

A consciência de consumo só se desenvolve na liberdade: na liberdade de escolhas e na liberdade de informação. A proibição e a propaganda são avessas a esses dois princípios. Em algumas comunidades indígenas, o mundo é das crianças, a aldeia é dos adultos e a sabedoria é dos idosos. Isso porque acreditam que a criança deva vivenciar com liberdade (liberdade de não ser seduzida por uma propaganda, aplicando à nossa realidade) para adquirir experiência. Isso as tornará adultos capazes de cuidar da aldeia, de fazer escolhas por si e pelo grupo. E por fim, os leverá a um estágio onde não se decide ou se dá ordens, mas se dá conselhos (justamente porque julgam que o sábio não manda, ele informa para que outros decidam).

Mas isso foi só uma curiosidade. Outra coisa engraçadinha que aconteceu (mas serei breve para terminar logo) foi o lançamento do formato “.wwf”, um arquivo ecologicamente correto que não pode ser impresso.

A propaganda diz “escolha os arquivos que não quer imprmir e converta para .wwf”. Se eu estou escolhendo os arquivos que não quero imprimir, isso é porque já não vou imprimi-los!

Não é assim que se desenvolve consciência… E eu só disse tudo isso porque não gosto de ser chamado de idiota. Quem gostar, paciência… Só não venha me chamar de idiota também.

Homofobia? Sim

Publicado: quinta-feira, 18 novembro - 2010 em Filosofia, Mídias, Política
Tags:,

De ontem pra hoje pipocaram manifestações pela internet por conta do “twiteiro” @homofobiasim. Isso me fez pensar algumas coisas e me levou a ler mais sobre o assunto também, aí tive vontade de dividir algumas reflexões.

• Homofobia é crime?

Sim e não. Não existe uma lei federal que criminalize a homofobia diretamente, mas para quem sabe ler (no sentido de ler, interpretar e entender) a constituição de 88 deixa claros os direitos de liberdade e igualdade em geral, à liberdade de consciência, à intimidade, à vida privada e, como base de todos, à “dignidade da pessoa humana”.

Isso não criminaliza ou deixa claro nenhum tipo de pena, mas dá espaço para abertura de processo por privação de direito. E quando tratamos de um direito fundamental (um dos 5 do primeiro artigo), a coisa pode ficar bastante séria.

Isso não significa que não há necessidade de termos leis (como prevê o PLC 122) que qualifiquem esses diferentes tipos de violação de direitos. Qualquer pessoa que sofra discriminação por ser homossexual pode recorrer a processo por ter um direito fundamental violado, mas algumas leis adicionais agilizariam esse processo, como já ocorre para diversas formas de discriminação (racial, à mulher, entre outras).

Quando a constituição fala em promover o bem de todos “sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, ou quaisquer outras formas de discriminação”, acredito que está claro que “quaisquer outras formas” é literal.

Então quando ouvirem um homofóbico dizer, como tenho ouvido nessa semana, que “homossexual não é raça” como justificativa para comentários discriminatórios, podem chamá-lo de burro sem peso na consciência. É o que eu tenho feito, porque paciência tem limites, também… Em 30 minutos de pesquisa isso tudo ficou bastante claro pra mim. O tempo que esse imbecil gastou fazendo essa conta no twitter e escrevendo as porcarias que escreveu em seu perfil dariam conta dessa informação.

No estado de São Paulo já existem penalizações para diversas formas de discriminação de homossexuais (lei estadual 10.948/2001).

Se for acrescentar mais sobre o assunto, a postagem vai ficar muito grande. Vou me limitar a dizer que estou decepcionado com os alunos do Mackenzie por não terem reagido ao pronunciamento de seu “chanceler” (até agora não entendi por que uma universidade possui um chanceler de uma instituição que responde por ela depois de tantos anos de luta pela autonomia universitária) .

Anos atrás talvez eu e alguns amigos do e-jovem estivéssemos planejando alguma manifestação por ali, mas agora estou longe, no interior do estado. Então me limito a dizer que vocês, alunos do Mackenzie, a mim são um bando de bundões. Principalmente depois de ouvir sobre o depoimento de uma aluna (que pode não representar o todo, mas chama atenção para o marasmo) “Ah, eu ouvi falar, mas eu sei que eu não sou homofóbica, então…”. Sinceramente? AHPAPORRA.

Gente que se cala diante do preconceito é conivente. A omissão reprime tanto quanto, e às vezes mais que a manifestação. Sobretudo em âmbito educacional. Vale ressaltar que alguns desses alunos serão professores amanhã.

Para quem se interessar, na página da ABGLT (Associação brasileira de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) há um conteúdo bastante interessante sobre homofobia:

http://www.abglt.org.br/port/homofobia.php

http://www.abglt.org.br/port/pesquisas.php

• Blablablá linguístico:

Eu prefiro tratar essa questão fora do âmbito legal e dentro do âmbito da saúde. Os amigos da área de humanas podem ficar bravos com a minha mania biologizante, mas há horas em que eu prefiro simplificar. Se o amigo Bruno, de quem não tenho notícias desde 2004, estivesse aqui, ele diria “não vamos discutir semântica”. Mas pra essas coisas eu sou um rato pestilento, então vamos radicalizar:

Homo / phobos: Medo do igual. Hoje há alguns consensos dentro da psicologia que apontam que o termo correto seria “homofilofóbico” (medo daquele que se atrai pelo igual).

Mas parando pra pensar 5 minutos… A diferença entre o sujeito que se diz hétero e o sujeito que se diz homo (ressaltando que eu não acredito nisso) é nula. Ao menos da perspectiva de que não dividimos as pessoas por elas preferirem comer frango ou peixe, não há razão para as dividir por escolherem comer cus ou vaginas.

Ainda, pesquisas têm apontado para o fato de que uma das causas da homofobia é a própria homossexualidade reprimida.

Sendo assim, homofilofóbico ou homofóbico dá na mesma. Continua sendo fobia. E como qualquer fobia, quando começa a causar problemas de convívio, requer tratamento.

Simples assim.

Um abraço especial a todos aqueles que tomam café frio e/ou fumam cigarro de filtro vermelho (que na verdade é amarelo, já repararam?) enquanto escrevem.

Ferramentas de Mídia?

Publicado: quarta-feira, 14 julho - 2010 em Filosofia, Mídias
Tags:,

Hoje mais cedo estava participando do V Seminário “O professor e a leitura do jornal”. A conferência de abertura foi sobre ética e multimídia, e devo confessar que me provocou bastante. No sentido positivo de provocar. Há meses que não escrevia nada, e há uns anos que tento iniciar blogs e perco a vontade depois de duas ou três postagens. Fragmentos de uma revolta sem rosto que vão ficando largados por servidores de que nem me recordo mais.

Uma da expresões que mais ouvi durante o dia foi “ferramentas de mídia”. Tenho uma mania estranha de ficar devaneando sobre o significado que as pessoas dão às coisas e o que elas querem realmente dizer. Alguns pensamentos me vieram à mente, então decidi compartilhar.

Quando alguém me diz que vai usar ferramentas de mídia para auxiliar uma aula ou um discurso, fico pensando “Quem será a galera que esse cara vai chamar?”. Entendo que referem-se às midias enquanto ferramentas, mas ferramenta de mídia me remete automaticamente a outra coisa: uma ferramenta usada pela mídia.

Não vou entrar aqui nos méritos de a mídia ser uma ferramenta, pois ela é. Mas será que a podemos resumir a isso? Não que eu esteja concebendo a mídia enquanto entidade, mas será que em alguns momentos não somos nós as ferramentas? Quando um professor leva a uma sala de aula um texto de revista, será que ele é quem está usando a ferramenta ou a revista?

Pode parecer um pouco radical, mas quando uma revista veicula a voz de um professor, ela então é ferramenta do profesor. Mas quando ocorre o contrário, penso que a ferramenta de mídia, neste caso, é a própria figura do professor.

Não é necessariamente ruim. Se esse é um processo consciente, talvez seja até admirável. Mas quantas vezes realmente é? Quanto textos vão parar em uma sala de aula por sua verdadeira qualidade e quantos seduzem os condutores com suas artimanhas gráficas e promessas de uma linguagem jovem?

A questão primordial nesse assunto, penso eu, é a tomada de consciência. Não estamos livres de sermos ferramentas de mídia.